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Crítica | Mentes Sombrias (Sem Spoilers)

Após o estrondoso sucesso das franquias de Harry Potter e Crepúsculo, a indústria cinematográfica, ciente de que existe um público interessado, começou a investir na produção de filmes que adaptam livros para jovens-adultos.

Com o sucesso de Jogos Vorazes, abriu-se margem para adaptações livros que retratavam sociedades distópicas. No entanto, nenhuma franquia conseguiu obter o mesmo êxito que esta. Filmes como Maze Runner, Divergente e A Quinta Onda foram extremamente criticados e não foram capazes de arrecadar tanto quanto as outras franquias citadas acima, fazendo com que este subgênero saturasse.

Eis que surge Mentes Sombrias, um filme que parece uma tentativa desesperada da 20th Century Fox em estabelecer uma nova franquia após a venda de diversas propriedades intelectuais para a Disney. O longa busca retomar o sucesso deste subgênero de adaptações, mas não trás nada de novo. Muito pelo contrário, o longa é um emaranhado de todos os clichês presentes em filmes deste tipo. 

Em Mentes Sombrias, temos uma sociedade distópica onde todas as crianças do mundo, sem exceções, sofreram com uma doença misteriosa e extremamente fatal, mas, aqueles que sobreviveram, adquiriram poderes (ou mutações, se você preferir) extraordinários. Temerosa com esta situação, uma organização nefasta captura todas estas pessoas superpoderosas e as coloca em campos de concentração de modo a estudar esta doença e obter uma cura.

Dentro deste campo, vemos que são atribuídas certas cores à cada criança, que correspondem tanto ao poder obtido, quanto ao grau de perigo que elas apresentam. Do mais inofensivos para os mais perigosos, temos: os verdes, que possuem superinteligência, os azuis, que possuem telecinese; os amarelos, que produzem eletricidade, os vermelhos, que produzem fogo e, por fim, os laranjas, que possuem habilidades telepáticas, capazes de influenciar as ações e a memória de uma pessoa (algo similar ao jedi mind trick de Star Wars).

Dentro deste mundo terrível vive Ruby (Amandla Stenberg), uma criança que sobreviveu e possui habilidades de grau laranja. Ela é enviada bem jovem para um dos campos de concentração, mas consegue sobreviver pois utilizar de seus dons para se passar como verde.

Após seis anos vivendo assim, repentinamente descobrem que ela é laranja, mas, com a ajuda de uma mulher da misteriosa Liga, ela consegue escapar. No entanto, por não saber das verdadeiras intenções desta organização, Ruby foge desta mulher na primeira oportunidade que aparece e se junta ao grupo de Liam (Harris Dickinson), Chubbs (Skylan Brooks) e Zu (Miya Cech), que estão fugindo de uma vilã misteriosa rumo a um refúgio secreto aonde todas as crianças vivem longe do Governo.

Isso provavelmente ficou confuso, certo? E se eu te disser que isto ocorre apenas no primeiro ato do filmes? Em pouco menos de um terço do filme o espectador é bombardeado de informações e recebe pouquíssimas explicações. Isso se dá porque Mentes Sombrias possui um problema seríssimo de ritmo. No primeiro ato, parece que o filme está correndo para terminar. A montagem é extremamente rápida, as coisas vão acontecendo do nada e as informações são passadas sem muita explicação. Enquanto nos atos seguintes, o filme parece tirar o pé do acelerador e se estende demais, focando em coisas desnecessárias, como um romance bobo e cenas que não acrescentam em nada à narrativa.

Mas os problemas não param por ai, o roteiro de Alexandra Bracken e Chad Hodge é terrível. Tirando Ruby, nenhum outro personagem é desenvolvido. A trama parece dividida em episódios, com personagens que entram, saem e depois voltam em momentos completamente diferentes. Além disso, muitas das falas são bobinhas, clichês, apelativas. Sem contar na previsibilidade da trama. Não há surpresas, todos os twists são capazes de serem previstos nos primeiros trinta minutos de projeção. E, para coroar o desastre, temos um final aberto com um cliffhanger, sugerindo uma continuação.

O roteiro também é capaz de distorcer a mensagem que o filme tenta passar. O filme fala, principalmente, de temas de aceitação, seja individual ou coletiva, usando a metáfora da divisão de cores para falar de racismo e, com uma análise mais profunda, a captura de crianças poderia muito bem servir como um paralelo para o governo Trump. Entretanto, o filme resolve colocar um personagem negro como alívio cômico, um personagem branco loiro como interesse amoroso e uma personagem asiática extremamente quieta e pertencente ao grupo de poder amarelo.

Outro grande problema está na direção de Jennifer Yuh Nelson, que poderia ter tentado salvar um pouco do filme, com angulações de câmera diferenciadas ou puxando de seus atores boas interpretações para as falas mal escritas. Todavia, apenas recebemos uma direção bem básica e atuações fraquíssimas. Se da pra salvar alguma atuação, provavelmente Amandla Stenberg e Skylan Brooks se saem acima da média.

Para fechar o desastre, o filme ainda conta com participações relâmpago de grandes atores de Hollywood como Bradley Whitford, Mandy Moore e Gwendoline Christie, que, somados, devem possuir 10 minutos de tela, nos fazendo questionar o porque que foram escalados para o filme.

Nota: 1.5/5

Mentes Perigosas é um filme que tenta, de forma desastrosa, reviver um subgênero para lucrar em cima dele, mas  peca pela falta de inovação e pela sua péssima execução. O filme talvez consiga arrecadar um pouco devido os produtores, que são os mesmos de A Chegada e Stranger Things. Entretanto, não será o suficiente para vermos uma franquia do best-seller nos cinemas.

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