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A morte te dá parabéns 2 – Crítica

Se analisarmos os dois longas de A Morte te dá Parabéns, logo de cara, podemos dizer que são bem distintos. O primeiro fez sucesso junto à crítica e público por ser um terror slasher divertido. Convenhamos que contar uma história de um personagem preso em uma anomalia temporal, vivendo o mesmo dia repetidas vezes, já se tornou meio batido. Mas, devido a ótima interpretação de Jessica Rothe e por ser um ótimo longa terrir (terror com comédia), entendo que James Blum (e sua máquina de fazer dinheiro, Blumhouse) quisesse explorar um pouco mais a trama em uma continuação.

Fiquei curiosa em entender como seria possível uma continuação de uma história até então concluída. Acontece que eles inovaram no gênero do filme, mesmo contendo uma trama parecida, mas com um plus. O diretor Christopher Landon resolveu explorar mais o lado cômico de Jessica (suas caras e bocas são o ponto alto do longa), mas, dessa vez, não possui elementos de terror e sim de ficção científica. Você deve estar se perguntando: que viagem de ácido é essa? Pois bem…

No início, quem fica preso em uma anomalia temporal é Ryan (aquele asiático loirinho do primeiro filme) devido às suas experiências científicas com um aparelho tecnológico criado por ele e seus amigos da universidade. Em uma tentativa desesperada de Ryan sair daquele ciclo, Tree (Jessica) é jogada novamente ao fluxo temporal que repete o dia do seu aniversário, mais uma vez. Mas agora, há uma complicação ainda maior, já que a garota não foi enviada para o passado apenas, pois ela se encontra em outra dimensão do multiverso, onde as coisas são um pouco diferentes de como aconteceram.

Eu acho o seguinte: quando um filme se propõe a criar uma teoria científica, mesmo que fantasiosa, ela precisa fazer o mínimo de sentido. Fico incomodada quando a trama acontece sem a mínima pretensão de explicar detalhes científicos (duvidando da inteligência do espectador) e a única missão do filme é entreter. A continuação é divertida? Muito! A sequência de suicídios de Tree, que preferia se matar de formas esdrúxulas do que ser morta por um novo assassino, é ótima.

Spoilers

Mas, o normal não seria ela viver várias vezes esse novo dia? Mesmo que em outro universo? Porque precisou voltar no tempo e trocar de universo? Outra coisa: no início do filme, tem duas versões do Ryan juntas num mesmo universo e aquilo é simplesmente jogado no meio da história, sem explicação do como aquilo era possível. Se todos foram afetados pela tal máquina, porque só Tree ficou presa novamente em um looping temporal? Os outros poderiam ter tido experiências parecidas. Nem precisava aparecer cada uma das histórias, obviamente, mas ao menos, quando Tree solucionasse o problema, eles poderiam mencionar que aquilo estava acontecendo com eles também.

Fim dos spoilers

A mãe da Jessica, morta na produção original, neste universo está viva. Esse é o aspecto mais interessante desse novo longa, explorando um pouco de drama, meio clichê, mas ao mesmo tempo legal. A lição de moral do primeiro filme era que, no fim das contas, Tree se tornasse um ser humano melhor. A lição aqui é passar um tempo de qualidade ao lado de quem você ama. E que bom que essa confusão toda dá sempre segundas e terceiras chances para aprendermos, no amor ou na dor.

O plot twist do segundo filme é mais interessante que o do primeiro, mas esses deslizes enfraquecem muito uma ideia que poderia ser melhor desenvolvida. O filme não se leva a sério MESMO. Bobagens e absurdos cena após cena, com muitas referências à De Volta para o Futuro 2 e 12:01 (filme de ficção científica bem bacana de 1993). Mas, se quiserem ver um filme engraçado e despretensioso está valendo. Ah, e esperem para ver uma cena pós-crédito insanamente engraçada.

Nota: 3,5/5

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