A Mula – Crítica

Pra quem assiste Clint Eastwood atuando com frequência, já está acostumado aos personagens que encarna: em sua maioria, são amargurados, com raiva da vida. E, em A Mula, que estreou essa semana, Clint sai de sua zona de conforto interpretando um idoso criminoso, porém gente boa. Rola empatia pelo personagem logo no início do filme. No entanto, sua direção não traz muita novidade, ou seja, é ótima.

Ele faz o papel de um veterano da guerra do Vietnam de 90 anos, preconceituoso e um pai ausente, mas que o espectador acaba perdoando, basicamente por se tratar de um idoso frágil e simpático. Ele comete erros? Sim. Não é mesmo um ser humano perfeito. Mas, tenta a todo custo, no fim da vida, acertar as contas com sua família e tenta recuperar o tempo perdido.

O personagem lembra vagamente o protagonista Walt Kowalski, de Gran Torino, e não é à toa. O mesmo roteirista, Nick Schenk, é responsável pelos dois filmes. A diferença é que o filme de 2008 é uma obra de arte. A Mula é só um longa divertido, porém muito bem feito.

O idoso em questão, Earl Stone, na verdade é baseado em Leo Sharp, uma verdadeira lenda urbana que ajudou a traficar milhares de quilos de cocaína para o Cartel de Sinaloa. Após perder o seu negócio de vender flores, procurou resolver seus problemas familiares ganhando dinheiro por levar pelas estradas americanas muita droga. Ele dirigiu a vida toda, é branco, muito idoso e nunca levou uma multa de trânsito, quem desconfiaria dele?

A forma como ele vive essa vida dupla e dribla a polícia é muito interessante. Aliás, na Unidade de Narcóticos, estão nomes de peso, como Bradley Cooper, Laurence Fishburne e Michael Peña. Elenco afiadíssimo, com ótima química. E, vivendo a filha que não fala com ele, está sua própria filha, Alison Eastwood.

De velhinho endeusado por outros velhinhos que amam flores a mula do tráfico, o personagem de Eastwood é realmente instigante. A história te prende até o fim, com uma pitada de dramédia na medida certa. E que bom que Eastwood viveu o suficiente para interpretar um papel bem fora da curva, nos presenteando com mais uma bela película. É ótimo, mas não é épico. Porque depois de assistir diversos super clássicos, esse realmente não alcança a nota máxima.

Nota: 4,5/5