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Black Mirror – Quarta temporada – Primeiras Impressões

Realidade virtual é um tema muito debatido em filmes e séries e a quarta temporada de Black Mirror começa justamente mostrando como isso pode abalar a vida real de maneiras positivas ou, principalmente, negativas. Parece que o criador da série antológica, Charlie Brooker, quis agradar aos fãs nerds com o episódio sátira de Star Trek chamado USS Callister. O que dá pimenta à trama é o famoso terror psicológico, presente em alguns momentos das temporadas anteriores, mas aqui ele está mais evidente.

Os desenvolvedores do jogo Infinity o deixaram com a mesma cara da série Frota Espacial, a tal série que parece Star Trek. Eles mantém uma dinâmica na vida real e outra na virtual e são esses contrastes que fazem deste episódio um dos melhores da série, na minha opinião. O mais incrível é que as pessoas da empresa que estão no jogo têm consciência própria, pois o diretor técnico Robert Daly – Jesse Plemons, de Fargo e Breaking Bad – criou suas versões idênticas digitalmente e a inteligência artificial faz você imergir em um universo paralelo. A forma como isso é explorada me deixou boquiaberta.

Enquanto de dia, Robert sofre no escritório com as humilhações do seu sócio – Jimmi Simpson, de Westworld – com o restante da equipe, a noite, o programador escapa da realidade para seu mundo particular, em que todos que o rechaçam no trabalho, agora o admiram. E vê-los presos a esse universo é sufocante e, às vezes, inusitado, como o que acontece quando o jogo é pausado, por exemplo. Chega a ser engraçado. Aí, você começa a ver que é comum no ambiente de trabalho haver humilhações, assédios morais e sexuais e bullying e tudo isso está relacionado a esse episódio, de forma subliminar ou até mais direta.

Nota: 5/5 (Excelente)

De pessoas doentias, obsessivas e com alto nível de psicopatia o universo do Black Mirror está cheio e aqui ele tem seu representante, sendo tirano e torturador. Nem vou contar muito mais para não estragar a experiência de vocês. Só falo que, tecnicamente, o episódio é perfeito. Ótimos efeitos, figurinos, maquiagens e cabelos – bem inspirados na década de 70 – e as interpretações dos atores também estão convincentes. A direção acertada de Toby Haynes abriu da melhor maneira possível essa temporada.

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