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Bruxaria em alta: análise sobre os novos Charmed e Sabrina

Ao que tudo indica, a onda de bruxaria que fez muito sucesso na TV e no cinema na década de 90, voltou com tudo nos últimos anos. E, confesso, que curto o tema. Lembro até hoje de quando assisti Jovens Bruxas (1996) e Da magia à sedução (1998), adorava! Até o clássico A Bruxa de Blair (1999) que criou um novo estilo de filme, o gênero found footage, que é aquele em que as cenas mostradas na tela representam um “material encontrado”, filmado pelos próprios personagens da produção. Ou seja, é basicamente um falso documentário. Esse, inclusive, teve um revival em 2016, não tão bom quanto o original, claro…

Na verdade, se pararmos para analisar, bruxaria nunca esteve fora de moda. Vide Harry Potter e Animais Fantásticos (parece que J.K. Rolling jamais deixará o público esquecer de sua mente fantasiosa). Me refiro aqui a outras obras, principalmente na TV. Eu gostei de saber que Sabrina e Charmed iam retornar porque eu acompanhei as duas séries na minha adolescência. As análises que farei aqui se referem às minhas primeiras impressões pois assisti somente os dois primeiros episódios de cada.

O remake de Sabrina – A Aprendiz de Feiticeira (1996-2003), que agora na Netflix se chama O Mundo Sombrio de Sabrina, é extremamente diferente do original. O primeiro é uma sitcom, com tiradas engraçadas de Salem, um gato falante. A série era toda fofinha, pra todas as idades. Agora, Sabrina vive literalmente em um mundo sombrio, numa casa onde, na verdade, é um mortuário, com direito a mortes sangrentas e cenas de sexo.

Já o reboot de Charmed segue mais ou menos as regras da série original (1998-2006). Tem feitiços, mortes, demônios e, ao mesmo tempo, os dramas pessoais das três irmãs bruxas que que formam o Power of Tree, as bruxas mais poderosas do universo. Macy recebe o poder da telecinesia, a irmã do meio, Mel, pode congelar o tempo, e a mais jovem, Maggie, pode ouvir os pensamentos das pessoas.

Analisando Sabrina

A Família Spellman permanece: as tias Zelda e Hilda, o gato Salem, e agora contamos com mais um membro, seu primo Ambrose. Ele está em prisão domiciliar após tentar explodir o Vaticano (!). Seu namorado Harvey também existe nessa versão. Na série da Netflix, Sabrina tem Rosalind e Susie como melhores amigas (uma delas lésbica), enquanto na sitcom ela tinha Valerie, uma amiga leal, e Libby, a principal rival no colégio.O tal ritual que acontece no aniversário de 16 anos de Sabrina não ocorre no primeiro programa.

O título da série é inspirado nos quadrinhos Chilling Adventures of Sabrina, lançados pela mesma editora das histórias do Archie, que se transformaram na série Riverdale. Por eu não curtir muito Riverdale, não gostei do novo tom da serie. Admito que é uma boa produção, tem ótimos efeitos e trilha sonora (vamos combinar que esses não eram pontos fortes da série original).

Os adultos são maravilhosamente bem interpretados, como Lucy Davis (Hilda) e Miranda Otto (Zelda), os atores juvenis são muito fracos. Sabrina (vivida por Kiernan Shipka) é insossa e nem um pouco empática. Não sei no restante da temporada, mas nesses dois primeiros episódios, a achei bem chatinha. Melissa Joan Heart era legal ao ponto dos telespectadores quererem ser os melhores amigos dela. Enfim, não culpo Shipka, ela só está seguindo o raso roteiro…

Analisando Charmed

O trio de bruxas Phoebe, Piper e Prue foram substituídas por Macy (Madeleine Mantock), Mel (Melonie Diaz)e Maggie (Sarah Jeffery). Na série original, a mais velha Prue morre e as outras duas irmãs descobrem uma outra chamada Paige. No novo programa, Mel e Maggie, após a morte da mãe, ficam sabendo que têm uma irmã mais velha, Macy. Nas duas histórias, as irmãs são órfãs. Alguns elementos foram mantidos, como por exemplo o Livro das Sombras, que contém todos os feitiços de sua linhagem (escritos pela mãe, avó, etc) e um anjo da guarda que as protege.

A série muda vários elementos , incluindo a mudança de cenário fictício de San Francisco para Hilltowne; fazendo da irmã do meio uma lésbica; dando à irmã mais nova o poder da telepatia em vez da premonição; mudar o nome da família de Halliwell para Vera; e ter todos os três nomes aliterativos das irmãs começa com M ao invés de P. Além disso, tem um elenco mais diversificado com diferentes etnias; Diaz e Jeffery são descendentes de hispânicos, enquanto Mantock é descendente de afro-caribenhos. Rupert Evans completa o elenco vivendo Harry, o anjo da guarda, a luz branca das irmãs. O ator mal saiu de The Man in the High Castle (da Amazon) e já está nesta nova produção, sensacional como sempre.

Gostei muito que a irmã mais velha seja cientista, isso ajuda nas investigações. Outro ponto interessante são que duas delas estão de luto pela morte da mãe e a mais velha, que não chegou a conhecer a mãe, está com sentimentos confusos. Elas tentam entrar em equilíbrio e em comum acordo durante as importantes decisões, ainda mais com todas as novidades chegando em suas vidas. Achei interessante a química dos atores e os efeitos são ótimos. Por sinal, os efeitos da série original podem ser considerados toscos hoje em dia mas eram inovadores e ousados na época.

Resumindo…

As novas roupagens foram muito bem adaptadas e modernizadas. O fato de terem lésbicas, as diferentes raças representadas, acho muito válido e democrático. Achei os roteiros interessantes, mas ainda não consigo curtir muito os jovens de Sabrina, não achei que fossem carismáticos o suficiente. De repente só as Irmãs Estranhas, trio que quer transformar a vida de Sabrina em um verdadeiro inferno. Pode ser que eu mude de ideia quando avançar mais nas duas séries.

Charmed: 4,5/5

O Mundo Sombrio de Sabrina: 4/5

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