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Crítica | Assassinato no Expresso Oriente

Baseado numa das obras mais famosas da dama do crime Agatha Christie, Assassinato no Expresso do Oriente era uma adaptação que eu estava ansiosa e curiosa para assistir. Com elenco composto por atores altamente reconhecidos por seu talento, a expectativa era para saber como Kenneth Branagh se sairia na direção do mesmo, quase 50 anos depois da primeira adaptação.

A história gira em torno do assassinato de um homem durante a viagem do Expresso do Oriente, cujo assassino é um dos passageiros. Cabe ao famoso Hercule Poirot (Kenneth Branagh) desvendar o mistério sobre a identidade do assassino e a motivação. O detetive, que esperava fazer uma viagem tranquila para descansar de seu último caso, acaba envolvido em um mistério maior que imagina e cercado de falsas informações dadas pelos passageiros.

Branagh, na direção, faz um trabalho morno. Não há nenhum toque maravilhoso, uma visão genial, nada que ajude a diminuir a lentidão da primeira meia hora de filme. Combina, na mesma medida, com o roteiro, de Michael Green, que particularmente, achei que demorou a decolar. As mudanças feitas para criar uma história anterior para o detetive acabaram contribuindo para deixar o filme arrastado. Na verdade, até o assassinato ocorrer, o filme é tão lento e pouco interessante que cheguei a pensar que seria um fracasso total.

As atuações me decepcionaram um pouco. William Defoe é um ator cheio de recursos, porém, penso que foi mal aproveitado. Michelle Pfeiffer ficou ótima como Mrs. Hubbard; seu papel exigia uma dissimulação exagerada, o que ela entregou com precisão. Judie Dench, sempre impecável, Daisy Ridley e Penélope Cruz fecham a conta das boas atuações. Mesmo Kenneth Branagh, Josh Gad e Johnny Depp, tiveram atuações fracas ou canastronas. Não gostei do tom dado por eles aos personagens,

Alias, já que chegamos ao assassinado, vale fazer uma pausa aqui para dizer que acho lamentável Hollywood ainda bater palmas para Johnny Depp depois da agressão à ex mulher, Amber Heard. Embora sempre tenha sido fã do trabalho dele desde cedo, não podemos continuar enaltecendo um agressor. É hora de refletirmos sobre as nossas escolhas e ações. Felizmente, sua participação no filme é curta.

Abro espaço aqui para falar da direção de arte do filme. Trabalho muitíssimo bem feito, assim como figurino. Fiquei encantada com ambos. Particularmente, tenho um apreço especial por essas duas categorias e ambas me agradaram bastante.

Assassinato no Expresso do Oriente não é exatamente o que eu estava esperando. Minhas expectativas iam além do que foi entregue. Alias, a expectativa é a mãe da decepção; sempre que você espera muito de alguma coisa a chance de se decepcionar é altíssima. Porém, não é um trabalho a ser totalmente ignorado. Se você conseguir passar pela primeira parte do filme sem cochilar, será recompensado com uma história genial e cenas visualmente bonitas.

 

 

Por: Renata Alves

 

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