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CRÍTICA – TIO DREW (SEM SPOILERS)

Harlem, Nova Iorque, sede do Rucker Classic, um torneio de basquete de rua que revelou os maiores nomes da história do esporte. Dentre estes nomes, temos o icônico Tio Drew (Kyrie Irving), considerado por muitos o melhor de todos os tempos. No primeiro trecho do filme acompanhamos um documentário a respeito da quadra de Rucker e ouvimos a história de Drew. Lendas como Steve Nash e Dikembe Mutombo são algumas das pessoas que contam a história como o time dele era incrível, mas que nunca conseguiram jogar o campeonato devido a problemas internos.

 

Após o breve documentário, começamos a acompanhar o verdadeiro filme. No centro dele temos Dax Winslow (Lil Rel Howery) um jovem técnico de basquete que sonha em ganhar o prêmio do Rucker Classic. Para isso, ele treina uma equipe de estrelas, contando com o talento da “Beyoncé do time”: Casper (Aaron Gordon). No entanto Mookie (Nick Kroll), seu maior rival e inimigo desde a infância, é o maior vencedor do torneio e, com isso, convence Casper a jogar em seu time. Sem jogadores, Dax precisa reunir uma nova equipe para poder ganhar a competição. Com isso, ele vai atrás do lendário Tio Drew, que aceita jogar desde que ele monte a escalação do time. Então, os dois partem em uma jornada para reunir o elenco de Drew para um último campeonato.

O roteiro do filme é aquele bem conhecido de pegar a estrada e reunir velhos amigos para que eles tenham uma última aventura juntos. Ele é bem simples, com algumas frases de efeito, mas que não o tornam forçado. Além disso, o longa é bastante previsível, criando situações que não geram a menor surpresa. O seu  ponto forte são as piadas, a maioria delas funciona e, se você é fã de basquete, o texto conta com algumas referências boas como, por exemplo, quando Big Fella (Shaquille O’ Neal) chama um personagem fominha de Kobe. Com relação as personagens, a grande maioria delas é bem desenvolvida, mas há algumas exceções, como quando Casper muda de time, sem motivações claras. Há poucas pontas soltas e alguns erros que quebram a lógica do filme, mas nada muito grave.

A direção de Charles Stone III é simples e segura. Há alguns planos interessantes durante as partidas de basquete, mostrando arremessos e jogadas de ângulos e perspectivas bem interessantes, mas quando ele usa as câmeras pra contar sua história, ele prefere manter o simples e executa seu trabalho bem.

A grande surpresa fica a cargo das atuações, Lil Rel Howery, que é conhecido por ter feito o policial em “Corra!”, faz um trabalho regular, é engraçado quando tem que ser e dramático nos poucos momentos mais sérios do filme, mas nunca parece exagerado. O que surpreende são os astros da NBA entregando ótimas atuações. Tanto Kyrie Irving, quanto Shaquille O’Neal estão ótimos em seus papeis, realizando um trabalho vocal interessante mudando o tom para parecerem idosos. Entretanto, nem todas são ótimas, há alguns atores que, devido ao roteiro, entregam personagens caricatas demais, como o Preacher de Chris Webber e Jesse de Tifanny Radish. A atuação de Nick Kroll é um caso a parte, para alguns ela parecerá extremamente forçada, mas,quem comprar o humor dele, vai gostar.

O maior destaque do filme vai para a equipe de maquiagem. O trabalho que fizeram ficou impecável, os astros da NBA estão irreconhecíveis e envelheceram de forma extremamente convincente. Além disso, o trabalho da maquiagem foi extremamente detalhista e bem feito, será que serão lembrados no final do ano no Oscar? O trabalho feito aqui é melhor que de alguns filmes que já foram até premiados.

Como a primeira parte do filme é praticamente um road movie, a fotografia realiza um trabalho interessante mostrando belas imagens das cidades que estão sendo visitadas, cabendo um destaque. Já a trilha sonora é bem óbvia e conducente, o que acaba tirando o espectador do filme.

Apesar disso tudo, Tio Drew é uma surpresa agradável e o filme funciona muito bem. É uma ótima recomendação pra quem ama basquete ou filmes de esportes, pois as suas referências e cenas dos jogos são muito boas. Já quem não gosta deste tipo de filme talvez não se divirta tanto, pois o que funciona no filmes são as partes ligadas ao esporte.

 

 

Por: João Oliveira

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