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Crítica | Tolkien: Um filme sobre um homem comum

Admito que não estava animado para ver um filme biográfico sobre o criador de O Senhor dos Anéis, meu real medo era chegar na sala de cinema e me deparar com um filme no nível de “Não Pare na Pista”, obra biográfica sobre Paulo Coelho. Para a minha surpresa, Tolkien se mostra um filme sem grandes promessas, e justamente isso que o faz ser tão cativante em suas propostas, durante o longa é possível notar que o objetivo era muito mais mostrar a vida de um homem comum no início de 1900, do que o grande e consagrado criador de uma das maiores obras já feitas.

O filme se passa em dois tempos, o jovem Tolkien na Inglaterra antes da guerra e o mesmo em meio a uma trincheira numa grande batalha da 1º Guerra Mundial. Em sua juventude podemos notar um típico jovem de classe média alta na Inglaterra, que faz amigos e traquinagens, é impossível não se apegar a felicidade e até mesmo inocência do grupo de garotos que futuramente iria encarar os horrores da guerra. As cenas de juventude se mesclam com as de combate, onde Tolkien procura desesperadamente seu colega desaparecido em meio ao combate. A construção de personagens se dá de forma orgânica e convincente, vale elogiar as cenas de guerra maravilhosamente bem filmadas, por breves momentos me senti na mesma vibe de grandes filmes de guerra como O resgate do Soldado Ryan, voltando então rapidamente ao dia a dia desse grupo de amigos que acompanhamos durante o filme. 

O mais interessante, como já foi citado, é que na maior parte do filme nem lembramos que estamos vendo a história o criador de Senhor dos Anéis, o filme se propõe a tratar sobre a vida de um homem antes e durante a 1º Guerra e nesse quesito ele é extremamente cativante e interessante de ser acompanhado. São breves os momentos em que é mostrado alguma inspiração que o levou a escrever sua obra, como os horrores da guerra ou seu interesse por linguística na faculdade, e justamente por isso os momentos são tão empolgantes e chaves para a construção dessa incrível história. 

Talvez o único erro desse filme seja o terceiro ato, que se mostra um pouco cansativo, o filme parece não ter seu momento grandioso e épico, seja por escolha do diretor ou falta de uma boa construção. Não chega a incomodar, mas deve dar um pouco de sono aos menos empolgados, o final do arco deste personagem nos mostra o início de seu arco como escritor, mostrando que o objetivo deste filme é nos dar um Tolkien como homem e humano, não sua carreira celebre de escritor e criador, uma surpresa muito agradável a mim que esperava somente mais um filme sobre carreiras que já sabemos que darão certo no final.

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