Desejo de matar – Crítica

Quem não se lembra do lendário arquiteto Paul Kersey (interpretado por Charles Bronson) na franquia Desejo de matar(filmes lançados nas décadas de 70, 80 e 90)? No entanto, nunca imaginei que ganharia um remake, ainda mais protagonizado por Bruce Willis. A história onde o pacato protagonista vê sua família padecer nas mãos de criminosos, percebe que a polícia não está avançando nas investigações e, em resposta ao trauma, decide se tornar um vigilante se repete. Porém com alguns detalhes diferentes, como, por exemplo, a profissão de Paul (antes um arquiteto, aqui médico cirurgião). Essa adaptação foi bem interessante pois o fato de ter grande conhecimento anatômico e até mesmo trabalhar em um hospital o facilitou em muitos momentos.

Dando mais detalhes sobre a trama, no primeiro ato, observamos uma família feliz e perfeita virando alvo de bandidos. Eles invadem sua casa quando Paul está ausente, o que acaba ocasionando na morte da esposa Lucy(interpretada por Elizabeth Shue, que estava com a carreira meio parada depois que CSI acabou em 2015), deixando a filhaJordanem coma (vivida porCamila Morrone). Suas interpretações, por sinal, bem básicas, nada memorável.

Paul só tem o consolo do irmão Frank (Vicent D’Onofrio) e, por diversas vezes, procura os detetives Rains (Dean Norris) e Jackson (Kimberly Elise) para saber os avanços do caso. Frustrado com a ineficiência da investigação, o próprio médico decide ser responsável por sua vingança. Com relação ao elenco, Willis, D’Onofrioe Norris se destacam, embora a trama fique com mais foco no protagonista mesmo.

O roteiro nada tem de novidade e não tem a pretensão de aprofundar algumas emoções que seriam importantes, ficando tudo bem raso. A justiça feita pelas próprias mãos já foi muito explorada no cinema, como a franquia Busca implacável, protagonizada por Liam Neeson. Paulmal fica de luto, se tornando mais um lunático do que de alguém que passou por um trauma e foi corrompido pela dor e injustiça.

Preciso enaltecer aqui o início do segundo ato, que mostra a pouca intimidade do médico com as armas. É até engraçado ver Bruce Willis não sabendo lidar com pistolas e tudo mais. O objetivo de Eli Roth era fazer justamente fazer uma combinação de terror gore com comédia slapstick ou pastelão. E a montagem que apresenta a transformação do médico em um justiceiro e seu treinamento ao som de AC/DCfoi eficiente.

Outra característica que considero interessante é como se dá a discussão da mídia e da sociedade sobre o armamento e questionamentos se está certo ultrapassar as barreiras da lei para fazer justiça com as próprias mãos. As intervenções durante a película, mostrando programas de rádio e telejornais, contrapondo pessoas que acham isso certo e outras discordando. E os EUA vivem muito essa discussão atualmente. Há um momento mais para o final do filme que informa sobre a queda da taxa de criminalidade, ou seja, Roth assume seu posicionamento ao colocar um civil se passando por um vigilante, mostrando como isso foi benéfico para a população.

Resumindo: em comparação ao original, podemos dizer que Bruce Willis é infinitamente melhor que Charles Bronson no quesito carisma e interpretação. Willis tem em sua filmografia outros personagens que são ao mesmo tempo heróis durões, porém vulneráveis, como em Duro de Matar e Corpo Fechado. E o fato dele ser médico também ficou bem bacana. É clichê, mas ao mesmo tempo entretém.

Nota: 4/5