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Dr. Slump | Conheça uma das primeiras (e melhores) obras do criador de Dragon Ball

De Akira Toryiama, mais famoso por ser o criador da franquia Dragon Ball, um de seus primeiros trabalhos foi Dr. Slump, que chegou em um volume da Panini que reúne os doze primeiros capítulos.

O mangá, publicado no Japão de 1980 a 1985, conta a história do inventor solitário Sembe Norimaki, conhecido como Dr. Slump por suas invenções nunca darem certo. Decidido a mudar o rumo de suas invenções, ele resolve criar um androide que seria tão idêntico a um ser humano que ninguém perceberia e assim nasce Arale Norimaki, a qual se torna como uma filha para Sembe, mas que este passa a chamá-la de irmã, pois não queria que pensassem que ele tão velho para ter uma filha adolescente. O enredo tem bastante teor de comédia e isto permite que explore possibilidades como quebrar a quarta parede caçoando de si mesmo, dos leitores, e de outras produções – coisa que em Dragon Ball já não é tão comum assim – aliás, a personagem aparece mais de uma vez nas séries animadas Dragon Ball e Dragon Ball Super, você já deve ter visto.

A própria criação de Arale já é em si uma comédia. O Dr. Slump cria primeiro a cabeça, mas ao encher-se do tagarelamento da menina, reclama dizendo que deveria ter deixado a cabeça por último. A menina nasce, parecendo uma adolescente perfeita, mas decepcionando-se por não ser capaz de realizar feitos como voar através de jatos de sua mão ou atirar mísseis da barriga – uma clara referência ao Astro Boy, Arale questiona Como eu vou lutar assim? e seu criador assustado, Lutar? Você não é um robô de luta! De onde você tira essas coisas? Porém, Arale nasce com um defeito inusitado – miopia, o que não é de se esperar de um robô, e assim passa a ser obrigada a usar óculos. A personagem nasce com inteligência e conhecimento o suficiente para uma pré-adolescente, proveniente de seu criador. Logo, compartilha também do mesmo gosto por monstros e heróis, e também é limitada, por não entender muito da humanidade. Seu primeiro contato com a escola é no mínimo cômico – rapidamente ela se torna do grupo dos populares e é convidada para todos os clubes do colegial e passa a ser respeita até mesmo por marginais.

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Cada capítulo conta uma invenção diferente do Dr. Slump e as consequências de sua invenção – lembra muito desenhos sobre inconsequências, daqueles em que uma criança tem uma possibilidade que muda o universo, mas que tudo volta ao normal no fim do dia, tirando, é claro, quando são acrescentados personagens fixos, como os colegas humanos de Arale – dois irmãos, um que parece um pinguim humano e um que lembra muito os badboys dos anos 80, mas que tende a se tornar um ótimo policial ao amadurecer e uma garota que representa as adolescentes mais preocupadas com seu corpo e sua própria diversão, a ponto de perder uma viagem no tempo por estar de ressaca. O destino dos personagens é revelado através de uma invenção de Dr. Slump que fotografa o futuro, inclusive brinca com o destino do próprio mangá e o leitor no futuro, comentando Mas que mangá idiota! ou quando um criminoso entra para assaltar uma banca e nos fundos havia um cartaz vendendo a décima segunda edição de Dr. Slump com o comentário abaixo A gente nem sabe se vai durar tudo isto!

Todos os personagens são sátiras, tal como um urso, que Arale liberta em seu passeio ao zoológico e decide levá-lo a floresta, mas teria de fortalecê-lo antes – nutrindo-o? Não! Fazendo musculação, é claro! Por que não? E assim que este chega a selva, afastado de todos os seres humanos, após todo o trabalho, este leva um tiro de um caçador – o qual é espancado por Arale – e o Dr. Slump, mantem o urso vivo com partes robôs e assim nascendo mais um personagem para o louco elenco da família Norimaki, como também um bebê, que é encontrado quando o grupo viaja no tempo para uma era com dinossauros e homens das cavernas convivendo. Dr. Slump presenteia um garoto das cavernas com um isqueiro – atitude inconsequente vindo de um cientista, né? Mas atitudes inconsequentes são bem comuns para o personagem – e este lhe retribui com um ovo de dinossauro. Empolgado com o valioso ovo, o núcleo retorna para criá-lo em casa, mas do ovo nasce inusitadamente uma criança de cabelos verdes, com super-força, que se alimenta de qualquer coisa – inclusive brincam de lixeira e apontador com a boca do menino – e que acaba por descobrir-se que tem asas e que não tem sexo, possivelmente um anjo, e é batizado de Gatchan, inspirado nos monstros japoneses.

Nota: 5/5 (Excelente)

As referências a cultura pop são presentes no mangá, não tem um capítulo em que não seja mencionado um kaiju ou um super-herói como os tokusatsus ou heróis ocidentais mesmo como o próprio Superman, que aparece voando pelado, graças ao óculos raio-x de Dr. Slump. O humor, apesar de oitentista, é super atual, como se toda a sátira servisse ainda para hoje e serve! O visual é super bem feito, e diria até que mais bem desenhado que muitas obras de Toryiama. Com um ritmo gostoso de ler, capítulos pequenos, como um almanaque da Turma da Mônica, tem várias interações para o leitor, como páginas para pintura, recorte, passatempo e tudo mais, além de ensinar bastante sobre a cultura japonesa. Vale a compra de 13,90 para o volume 1 de Dr. Slump!

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