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Dunkirk – Crítica

Essa semana estreou o filme Dunkirk, do diretor Christopher Nolan, que retrata a batalha de Dunquerque, em 1940, na França, durante a Segunda Guerra Mundial. Só para tentar entender o que acontece, vou fazer um breve contexto histórico. Tudo começou a 11 de maio de 1940. As divisões alemãs avançavam pela região das Ardenas, invadiam os Países Baixos e atravessavam a Bélgica. Com as tropas aliadas (França e Inglaterra) defendendo a fronteira francesa, as forças alemãs movimentaram-se então para o norte, para conquistar Calais, deixando cerca de 400 mil soldados aliados cercados em Dunquerque. A Batalha de Dunquerque registou perdas materiais colossais para as forças opositoras de Hitler, mas especialmente para as tropas britânicas.
Esse momento é conhecido como um dos mais tensos da guerra: ou eles se retiravam com eficácia ou teriam que se render à Alemanha. Com pouca margem de manobra, e com as tropas alemãs indo em direção a Dunquerque, os Aliados iniciaram a operação que ficou conhecida como Dynamo. O filme se trata somente desse recorte da Segunda Guerra Mundial, que aconteceu de 22 de maio a 5 de junho daquele ano. O mais bacana que eu achei foi que o longa possui poucas falas e muita ação, bem sensorial. É uma luta desenfreada e desesperada pela sobrevivência do alto poder bélico alemão, por terra, pelo ar e pela água. E isso causa uma angústia sem tamanho para o espectador, reforçada pela trilha sonora tensa de Hans Zimmer. Caso queira só ter uma degustação, escute a faixa Supermarine.

As cenas que se passam no barco de resgate para mim são marcantes

É impossível comparar essa obra com outras da carreira de Nolan, como os instigantes A origem (2010) e Interestelar (2014). Em Dunkirk, a complexidade narrativa embaralha as ações, formando uma trinca desconfortável. As frentes de ação transcorrem no Molhe (palco central da ação), no ar (de onde despenca o bombardeio alemão) e no mar (cenário que aponta para a libertação dos soldados). E é bem separado mesmo, sendo escrito na tela o que é cada um. Tipo como o Tarantino faz dividindo seus filmes em capítulos? É quase isso.
O espectador fica na mesma situação dos militares: desorientados. Por todo lado, é possível ouvir e ver torpedos e afundamento de barcos. Tudo bem mostrar o caos de uma guerra, afinal, nenhuma guerra é silenciosa e bonitinha. A captura da amplitude das frentes de combate é arrebatadora. Mas, os personagens perambulam a esmo, a exemplo de Tommy (Fionn Whitehead) e Damien Bonard (de Na vertical). Além da trama de Tommy, que trilha o tempo todo em campo minado, Dunkirk dá bom espaço para o drama do personagem de Cilian Murphy (queridinho de Nolan, sendo este o quinto filme que fazem juntos, anteriormente em A Origem e na trilogia The Dark Knight), resgatado por Mark Rylance.
No elenco, ainda temos outro queridinho de Nolan, o talentoso Tom Hardy. Esse é o terceiro filme em que ele fica muitas cenas com a parte da boca tampada (antes como Bane de The Dark Knight Rises e em Mad Max). Isso para um ator é um grande desafio, ou seja, você precisa conseguir falar e se expressar bem somente com os olhos de fora. E ele consegue essa façanha, tendo bastante destaque na trama como Farrier. A única coisa que me incomodou foi a sua sequência final, mas não entrarei em muitos detalhes pois não quero dar spoilers. Só achei muito artificial.

Entre os soldados, está o estreante Harry Styles, que fazia parte do grupo musical One Direction e agora está fazendo carreira solo. Eu, particularmente, não tinha entendido o porquê da escolha dele para o papel. Até porque seu personagem não tem nada demais, assim como a sua atuação. O que me leva a crer que foi um jogo de marketing já que o menino tem milhões de fãs pelo mundo e isso é um chamariz. E, por último, queria comentar sobre a participação de dois grandes atores: Kenneth Branagh (de Hamlet e Othelo) e James D’Arcy (Jarvis de Marvel’s Agent Carter). Uma pena seus papeis serem tão pequenos, porém, por serem ótimos atores, suas interpretações são notáveis.

 

Tom Hardy como Bane. Mad Max e Farrier

Apesar de não mostrar pessoas sendo despedaçadas e sangue jorrando para todo lado (como vimos, por exemplo, em Até o último homem, de Mel Gibson), Nolan consegue retratar a guerra com muita técnica (escolhas específicas de ângulos de câmera e um som quase ensurdecedor, porém muito válido na experiência IMAX 3D). Inclusive, acredito na indicação ao Oscar nas categorias mixagem de som, edição de som e trilha sonora. E, só por esses quesitos, o filme vale a pena ser assistido.
Nota: 4/5

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