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Game of Thrones: Sétima Temporada – Crítica

Sétima temporada investe no espetáculo e perde muito no roteiro.
Aquele vilão da temporada que foi vilão de um episódio só.

Game of Thrones, tal como a série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin que inspira o seriado, por muitos anos foi conhecido como uma das poucas histórias imprevisíveis ou não tão previsíveis, onde plot twists – ou reviravoltas, como quiser chamar – eram bem amarrados e para muitos surpreendentes. É claro que, com o tempo, fãs acostumado com o ritmo e com os personagens podem acabar por prever certos comportamentos ou revelações, mas de longe, e bem de longe, é este o caso aqui. Ao mesmo tempo, não é motivo para perder a audiência, é claro, pois não há muitos espetáculos de capa e espada, dragões, zumbis, intrigas, e o seriado apostando nisto tende a ter uma produção melhor que muitos filmes – em minha crítica a temporada anterior eu comentei exatamente isto: nem filme é tão bem feito assim. Mas o espetáculo das batalhas, monstros e magia eram sustentados pelo background da Dança das Cadeiras – O Jogo dos Tronos.

A temporada começa onde a anterior terminou, você pode ler aqui a resenha das primeiras impressões, escrita pela Gabriella Ponte. O cenário político de Westerosuma versão distópica da Inglaterra – encontrava-se dividido em três frentes – A Capital dominada por intimidadora Cersei Lannister (Lena Headey) – ou Cersei Baratheon? Não ficou claro isso ainda – aliada à marinha de ferro liderada por Euron Greyjoy (Johan Philip Asbæk), A Terra da Tormenta com a materna Rainha dos Dragões Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) aliada a Campina de Olenna Tyrell (Diana Rigg) e Dorne com Ellaria Sand (Indira Varma), e por último, o Norte, reinado pelo bastardo Jon Snow (Kit Harrington), que só tinha um nobre objetivo – salvar o mundo. Você poder ler a minha resenha sobre o cenário político de Westeros, caso queira se aprofundar.
Aquele núcleo potencial, mas descartável.
Começamos com aquela pulga atrás da orelha sobre a Cersei – não havia como a Rainha vencer esta guerra, mas o decorrer nos episódios nos fez acreditar que sim, pois para as melhores estratégias de batalha e o conhecimento do caminhos de Westeros, os crescidos em Westeros ganham mais e finalmente nos bateu a dúvida – será que Cersei está tão na desvantagem assim? Mas o espetáculo tomou conta e o que prometia ser uma boa guerra, não aconteceu. É claro, pois a Grande Guerra é hoje o que importa, e finalmente encaminhamos para isto, num decorrer de acontecimentos que acelerou-se só porque o roteiro precisava entregar, sem quaisquer amarras entre uma ocasião e outra, cumprindo de todas as expectativas criadas pelos fãs – e nada contra sustentar os fãs com seus desejos, mas a partir do momento em que você esquece toda a trama que estava sendo trabalhava só para culminar num objetivo sem nem ligar as pontas, este roteiro é amador sim, e Game of Thrones não era um seriado escrito por amadores – ou pelo menos não aparentava.
São coisas como personagens que por muito tempo foram mestres da manipulação e de um segundo para o outro deixam seus segredos abertos e não sabem nem se defender – e eu não estou falando só do Mindinho Petyr Baetlish (Aiden Gillen), apesar deste ser minha maior decepção nesta temporada, mas caso também com Olenna Tyrell, entre outros que desaparecem no meio da temporada; são decisões estúpidas tomadas por quem eram os melhores estrategistas; exércitos que estavam encurralados em um lugar, e de repente estavam livres e dominando outros lugares sem a menor explicação de como saíram de lá – como os Imaculados se livraram do domínio da marinha de ferro? E também o papa-capim de três olhos, o oráculo de Westeros, que não tem utilidade melhor do que simplesmente servir de justificativa para o flashback visual, e que não desenvolve se quer credibilidade com os lordes do Norte, mas no entanto, a tem;
Personagens que tiveram o maior desenvolvimento em anos anteriores e neste se tornaram estagnados somente para cumprir uma decisão forçada de roteiro – qual foi a função da Arya Stark (Maisie Williams) a não ser a de Carrasco? Personagens que retornam na promessa de contribuir, mas nada fazem – como o Gendry (Joe Dempsie) que levou o martelo dele para quê mesmo? Plots iniciados e esquecidos na metade, entre outros que ignoram tudo o que havia sido anunciado em temporadas anteriores; a tal da honra dúbia de alguns personagens consagrados e limitações que até então eram respeitadas e foram ignoradas para culminar em objetivos que não tem e nem vão ter justificativa – nem vou perder tempo pensando numa justificativa para divórcios e como que os walkers, que não entram na água, conseguiram amarrar correntes num dragão afundado num lago congelado, se os roteiristas não querem perder tempo pensando nisto também – e olha que nem entrei no mérito de discutir a passagem de tempo, pois isto já até abstraí.
Mas é claro, o show de efeitos, as atuações, sincronia sonora e a boa direção toma conta de tudo e faz você esquecer-se de tais indagações, afinal, estamos falando da série mais cara atualmente – mas Game of Thrones nunca foi apenas isto. A franquia agora pode mudar o rótulo de fantasia política realista para política fantástica idealista.
Nota:
 

3/5 (Bom)

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