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Ghost In The Shell (2017) – Crítica

Primeiramente, gostaria de dizer que, na minha mente, já está tão entranhado o nome Ghost in the Shell que não consigo conceber essa tradução tosca A vigilante do amanhã. Por isso, simplesmente ignorei que esse título em português existe. Outra coisa que queria falar é que não consumi os produtos originais (anime e mangá), portanto, minha crítica será inteiramente baseada no filme. Mais um detalhe: muito se discutiu sobre o fato do elenco não ser todo japonês e tal. Eu não tenho nada contra, até porque, no próprio longa eles dão a entender que aquele mundo futurista é super heterogêneo, globalizado, tecnológico e tudo mais. Sem contar que as escolhas feitas para o elenco achei acertadas, inclusive a maravilhosa Scarlett Johansson, que sempre se sai muito bem em filmes de ação.
Bom, vamos a trama. A história gira em torno da androide Major (Scarlett Johansson), que após passar por um acidente tem seu cérebro e sua “alma” (o ghost do título original) colocadas em uma casca (o shell) biônica (estou tentando ser a mais didática possível rs). A protagonista faz parte de um esquadrão de elite, chamada de Seção 9, que investiga cybercrimes para a corporação Hanka, até que Major tem uma crise de consciência e começa a se questionar sobre quem realmente a comanda.

Johansson interpreta Major, uma androide com cérebro e alma humanos
Seu parceiro Batou (Pilou Asbæk) é uma das poucas relações mais íntimas da protagonista, contando com ele nos momentos em que possa se abrir. Michael Pitt cria um antagonista que é como o espelho da Major, interpretando um personagem cuja figura é inacabada. E Juliette Binoche, que vive a Dra. Ouelet, é uma cientista considerada como uma mãe para Major. Binoche e Johansson tiveram a oportunidade de desenvolver uma relação mais complexa entre suas personagens.
A obra pretende abordar as inovações tecnológicas como algo dúbio. Num mundo em que seres humanos fazem upgrades colocando próteses cibernéticas no lugar de órgãos biológicos, questiona-se o tempo todo o preço que se paga por isso. No entanto, muita tecnologia foi necessária para criar um visual eletrizante e colorido. Toda a estética do filme é muito bem concebida. Um ponto positivo do filme também é a empolgante trilha sonora, toda high tech e eletrônica.
Quem curte séries ou filmes futuristas que tratam de robôs com consciência humana (como Almost Human, Westworld e Inteligência Artificial) ou seres humanos e robóticos ao mesmo tempo (como Robocop) vai amar essa discussão filosófica. E os japoneses têm uma pegada toda especial para tratar do assunto, dentro de um universo cyberpunk, e acho que o filme tem essa essência. Muita gente reclamou que o filme difere muito do conteúdo original, mas entendi que a essência está lá pelo menos.

A sequência das gueixas roboôs é uma das melhores do filme
Existe um ponto que prestei atenção (e acho até que vale a pena as pessoas saberem antes de ir ao cinema) é que o filme parecia ser um blockbuster, quando na verdade não o é. Ele está mais para um longa cujo objetivo é fazer você pensar, questionar sua própria identidade. Ou seja, ele se enquadra mais na categoria cult. Algumas pessoas que assistiram comentaram comigo que acharam estranho as salas não estarem tão cheias e acredito que o motivo seja esse. Até porque é só um público seleto que curte de verdade esse tipo de narrativa.
O início é bacana, principalmente a sequência das gueixas robôs. A parte final também deve ser considerada pelos mais desavisados. Ela é marcada por uma irregularidade gritante, não combinando com o ritmo bem compassado do início. Uma pena… Quase cochilei, juro. Os últimos momentos do filme jogam em cima do espectador muita informação que estava meio nebulosa no início do roteiro, até ter a revelação do verdadeiro vilão da história e o seu desfecho. Complemento com mais uma informação: a intenção disso virar uma franquia é clara, mas será que vale a pena?
Nota: 3/5

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