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Liga da Justiça | Crítica

É um típico filme de heróis, que seria muito mais autêntico caso saísse anos atrás.

Este artigo tem a classificação L – Livre de Spoilers.

Resultado de imagem para justice league movie batman flashNão é de hoje que os estúdios sonham com filme-evento. Durante as últimas décadas. tivemos várias criações de universos compartilhados e crossovers, mas é claro que a DC – que agora se auto-denomina como apenas DC e não mais DC Comics – faz isto nos quadrinhos desde os anos 40. Fez isso muito bem na TV nos anos 90 e tenta reproduzir no cinema desde então, mas não obteve sucesso graças a limitações como quando havia o processo sobre os direitos de criação do Superman, que impediu o personagem de aparecer desde 2006 até 2013. Várias foram as tentativas, mesmo em 2006 já estavam nos planos da Warner Bros. Pictures de apresentar Batman Vs Superman – tanto é que a aquela clássica sequência de Eu Sou A Lenda, com o pôster do filme, deve-se a estes planos. Havia também um filme que seria dirigido pelo próprio George Miller, teria Brandon Routh e Christian Bale reprisando seus papéis como Superman e Batman, o vilão seria o Ra’s Al Ghul e terminaria com a morte do Flash. Anos se passaram, e finalmente, bem atrás da concorrência, que por acaso apenas se inspirou na ideia destes, Liga da Justiça chega aos cinemas.

Resultado de imagem para justice league movie ben affleck bruce wayneO filme, que não pode ser denominado como um filme-evento, pois não trata-se de um crossover de franquias que nasceram paralelas, mas sim de uma sequência da franquia iniciada em O Homem de Aço, de 2013, traz de volta os personagens já apresentados e apresenta novos – alguns com mais espaço do que outros. É claro que o playboy amargurado Bruce Wayne (Ben Affleck de volta em seu papel) e a experiente amazona Diana Prince (Gal Gadot, também de volta em seu papel) ganham mais tempo em tela e importância em trama do que os novos protagonistas – o atlante badboy Arthur Currie (Jason Momoa, o Khal Drogo de Game of Thrones), o jovem meta-humano Barry Allen (Ezra Miller, o Patrick de As Vantagens de Ser Invisível) e o dramático ciborgue Victor Stone (o estreante Ray Fisher) – por questões de política cinematográfica e o primeiro ato até tenta dar um foco nos personagens a fim de desenvolver e apresentá-los a grande público, mas a correria – proveniente culpa da recente decisão da Warner Bros. Pictures de reduzir o tempo de tela para 1 hora e 59 minutos, não deixa que nos afeiçoemos o bastante pelos personagens – eu nunca achei que eu fosse lamentar tanto por terem diminuído o tempo em tela do Ciborgue – e na verdade até queremos ver mais sobre o background destes – em especial tudo o que cerca o novo mundo apresentado de Atlântida e o povo atlante, que só empolga ainda mais para o vindouro filme Aquaman.

Resultado de imagem para justice league movie wonder woman steppenwolfAs sequências das amazonas são novamente um espetáculo e ainda se superam com relação a sua última aparição em Mulher Maravilha, deste mesmo ano, mesmo em tão pouco tempo de tela, e o background do vilão conhecido como Lobo da Estepe (Ciarah Hinds, o Mance Rayder de Game of Thrones) que, apesar de não ter a menor carisma e impacto e sua posição ser um tanto que confusa em relação aos superiores, também dá vontade de conhecer muito mais sobre a cultura da qual o gerou, os Novos Deuses, que dá a entender apenas que são deuses que nasceram após a morte dos Olimpianos, segundo menção do próprio antagonista. São duas interações do vilão com o núcleo de amazonas, mas a segunda – que trata-se de um flashback, como vocês já puderam ver em trailers – é ainda mais impressionante, pois guarda surpresas como menções a personagens clássicos e bem conhecidos pelos fãs da DC. E falando em service, os fãs podem ficar realmente felizes com todos os presentes como menções ao background de cada um dos personagens introduzidos.


Assista: Conheça a história do Lobo da Estepe


 

Personagens que, ao serem introduzidos, servem de sugestão para outros personagens clássicos, e, é claro, a cena durante os créditos, que em nada acrescenta a trama, mas é um agrado, e a cena pós-créditos que contribui bastante para o futuro da DC no cinema e constrói ainda mais o universo compartilhado, ao contrário do que prometiam alguns furos de notícias. Sobre a qualidade do filme, lamento muito em dizer que fica bem claro que o filme passou por baitas processos de re-edição – alguns personagens são inconsistentes e existem cortes mal posicionados e isso muitas vezes incomoda demais, apesar de não atrapalhar em informação, pois parece que apenas oculta onde não a havia e isso também enfraquece o conjunto. Fica claro que há mais de uma direção, em especial em questão de planos, que sofreram com as regravações. A fotografia recebeu um upgrade na pós-edição, mas a computação gráfica mal finalizada para com personagens que dependem dela pode não me incomodar, mas com certeza incomodará alguns.

Resultado de imagem para justice league movie arthur curry jason momoaÉ visível também que Ben Affleck não está satisfeito com seu personagem e pouco se esforça – ao contrário de sua dedicação para o filme anterior, – enquanto os outros protagonistas até se esforçam, mas não conseguem passar veracidade. A trilha sonora composta por Hans Zimmer mais uma vez faz falta – apesar de repetições de alguns trechos de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, – mas não dá lugar a uma playlist de canções compradas e sim a orquestra composta por Danny Elfman, que reproduz trechos antigos como o tema noventista de Batman, composto por ele mesmo, mas não fica claro qual a música tema para cada personagem – o tema da Mulher Maravilha não está presente – e muito menos qual a tema para o filme ou para o super-grupo. O roteiro, apesar de mais redondo que os dois primeiros filmes do universo compartilhado, no sentido de que conta uma história que encerra o arco dos três, mesmo que com ganchos para o futuro, ignora inúmeros ganchos do passado e não é eloquente consigo mesmo, dando a impressão de que foi escrito com preguiça ou desânimo, e que vende uma fórmula pronta, mas que serviria muito bem, caso o filme lançasse anos atrás.


Assista também: Primeiras Impressões de Liga da Justiça – 5 Perguntas Sem Spoilers.


 

Parece que, o filme não foi corajoso, por conta da recepção dos anteriores, e assim perdeu em originalidade, entregando a fórmula mais comercial e pronta para aceitação do público em geral e que, mesmo assim, teve preocupação com sua dinâmica cansativa, atrapalhando até mesmo a narrativa e deixando de fora muito do que, provavelmente, contribuiria para a experiência e a informação. O filme vai funcionar e provavelmente venderá mais que os outros, principalmente por sua característica divertida, o design mais cartunesco e as consequências mais caricatas, que infelizmente, trazem um filme mais imaturo do que foi a série animada produzida da TV, que fez a geração anterior se apaixonar por Liga da Justiça, mas que provavelmente conquistará a geração que vibra com o cinema atual e finalmente conquistará novos fãs para o universo.

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