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Logan – Crítica

Eu gosto de quadrinhos. Não tomo partido. Gosto de Marvel, DC Comics, o que for. Me interesso por esse universo. E não seria diferente me simpatizar pelo Wolverine. Inclusive, eu gosto do Hugh Jackman interpretando esse personagem. Claro, nessa estrada de 17 anos, trataram o carcaju de colant amarelo de uma forma meio galhofa. Sua trajetória poderia ter sido muito melhor, mas, entre altos e baixos, com certeza Logan acaba representando o ponto mais alto de todos. Definitivamente, sua saga se concluiu de forma épica, num estilo faroeste futurista. Realista, violento e com carga dramática na medida. Afinal, esse é um momento de redenção.
O longa marca o fim da primeira geração de X Men, sendo estrelado também por Patrick Stewart, nosso lendário e querido professor Charles Xavier (não desmerecendo sua versão mais nova, interpretada por James McAvoy). O filme se passa em 2029 e não se tem notícias de pessoas nascendo com mutações há 15 anos. Xavier já está com seus 90 e tantos anos e Logan? Sei lá, a essa altura já deve estar com uns 200. Os dois estão velhos, com poderes apresentando falhas por conta da idade avançada. Não só por causa disso, mas parece que eles já estão cansados de viver, depois de tudo o que aconteceu com eles. Em parte, o filme é triste só por esse fato, imagina o resto (não vou contar, relaxa!).

Logan trata Xavier como um pai no longa. Hugh Jackman e Patrick Stewart revelaram em entrevistas que a despedida de seus personagens foi muito emotiva
Logan ganha a vida como motorista de uma limousine futurista, como se fosse um Uber da época. Ele, junto com Caliban (vivido por Stephen Merchant), cuidam de Xavier. Até que um problemão bate à sua porta (não vou entrar em muitos detalhes para não dar spoiler). Mas, como vocês já devem ter visto no trailer, existem SIM novos mutantes e uma delas é Laura Kinney (X-23), vivida pela incrível atriz mirim Dafne Keen. Ela quase não tem falas, mas é tão expressiva que você cria simpatia por ela instantaneamente. Destaque ainda para Boyd Holbrook (de Narcos), que interpreta um dos vilões, e Eriq La Salle (de ER), interpretando Will Munson.
Prestem atenção quando eles estiverem em um hotel assistindo “Os brutos também amam” (1953), um faroeste clássico sobre um homem solitário que chega a uma cidade para defender uma família da violência e acaba criando laços com uma menino da região. Essa referência ajuda a entender a carga memorial que o diretor James Mangold tenta aderir ao terceiro filme solo do Wolverine (e, de longe, o melhor de todos). Pode ter certeza de que você nunca viu o herói das garras de adamantium tão amargo, autodepreciativo e rude. Gostei muito da interpretação do Hugh nesse filme, me parece que ele se esforçou bastante para o desfecho.

Dafne Keen vive a mutante Laura Kinney, que também tem garras de adamantium como Wolverine
A violência se equipara a de Deadpool (que é do mesmo universo e ambos possuem censura de 17 anos), mas, dessa vez, não tem piadinhas entre uma morte e outra para aliviar. Aliás, como os outros filmes foram leves, quase senti que eles satirizam isso. Em algumas cenas, Logan folheia algumas HQs dos X Men e diz que aquilo aconteceu, mas não foi bem assim. Tem muita fantasia e dá a entender que os filmes anteriores mostram um pouco de como as coisas se desenrolaram mas de uma forma mais light. Eu gostei dessa “explicação”.
Essa é a deixa para eu falar o que falei para muitos pais na época de Deadpool: não levem seus filhos. É um filme que tem muitas crianças no elenco mas não é um longa para crianças, acredite. E, pra você que viu os filmes do X Men mas não viu os filmes solos do Wolverine (X Men Origens: Wolverine, de 2009, e Wolverine Imortal, de 2013), pode ver Logan de boa. Tem algumas conexões mas nada que altere muito a sua experiência. E, só para preparar o coração dos marvetes, prevejo muita gente saindo chorando do cinema…
Nota: 4,5/5

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