FILMES 

Oito Mulheres e Um Segredo – Crítica

Com um elenco tão recheado de personalidades, trailers geniais, e baseado em uma das trilogias clássicas de filmes de roubo dos anos 2000, como não comprar a hype de Ocean’s 8?

Pessoalmente, a trilogia original marcou minha infância para gostar de filmes do gênero heist, e estava muito animada para assistir uma versão de um elenco completamente feminino, uma tendência de releitura que vem ocorrendo ultimamente (vide Ghostbusters, por exemplo). O filme consegue entreter do começo ao fim, apesar de suas falhas, e definitivamente a química entre todas as atrizes é o que faz o filme funcionar. Para quem (como eu) gosta dos filmes originais, o diretor fez questão de jogar muitas referências e fan service do começo ao fim. Foi uma sessão nostalgia em um filme novo.

Feito para ser um spin-off da trilogia de filmes Ocean’s, com a bênção do diretor Steven Soderbergh, Oito Mulheres e Um Segredo estreou dia 08 de julho, sob direção de Gary Ross, depois de muita especulação (e preocupação) de fãs da série original, que se perguntavam como a história continuaria após o final de Treze Homens e Um Novo Segredo (2007). A personagem principal dessa nova fase é Debbie Ocean (Sandra Bullock), irmã de Danny Ocean (George Clooney), protagonista dos filmes antigos. Após 5 anos de prisão, Debbie é liberada em condicional por “bom comportamento”, e depois de visitar o túmulo de seu irmão supostamente morto, decide ir atrás de velhas conhecidas para colocar em ação um plano que as deixariam ricas: roubar um colar de diamantes Cartier no baile de gala do Metropolitan Museum de Nova York.

Depois de encontrar sua antiga parceira de golpes, Lou (Cate Blanchett), elas partem para recrutar as outras integrantes do crime, contando com os nomes de Sarah Paulson, Helena Bonham Carter, Mindy Kalling, Awkwafina, Rihanna, e Anne Hathaway como Daphne Kluger. O filme passa de forma similar aos originais, com a preparação para o golpe, várias piadas, e a fatídica Met Gala, onde se passaria tudo de maneira cronometrada e engenhosa. Essa foi uma das grandes críticas feitas ao filme que, apesar de contar com tantos nomes de qualidade do cinema estadunidense, deixou a desejar em roteiro e adaptação, pois não conseguiu sair da “receita de bolo” dos outros Ocean’s. Particularmente, não acredito que fosse intenção do filme escapar desse modelo, pois é uma característica do gênero – quem viu títulos como Prenda-me Se For Capaz, Truque de Mestre e, recentemente, La Casa de Papel, sabe que a história acaba sendo muito similar em diversos aspectos: o planejamento inteligente e execução do plano, enganação da polícia, escapar debaixo do nariz das autoridades, etc. São esses clichês que tornam a categoria heist o que é, e por isso é um gênero tão divertido.

Desse modo, o fato de ser uma releitura dos originais composta majoritariamente por mulheres se torna, sim, um diferencial no filme, porque podemos ver essa dinâmica que geralmente acontece entre homens (em uma categoria de filmes voltada para o “público masculino”), acontecendo entre as mulheres da história. Como disseram em diversas entrevistas, as atrizes gostaram de provar que o estereótipo de que mulheres não conseguem se dar bem e trabalhar juntas não valeu para o caso de Oito Mulheres, além de estarem animadas para uma possível continuação do filme. O grupo atuou de maneira muito coesa, com atenção especial para a performance entre Cate Blanchett, Sarah Paulson e Sandra Bullock, provavelmente os “carros chefes” da narrativa. Infelizmente, quanto ao desenvolvimento das personagens, o filme deixou a desejar, talvez por ser uma produção curta, de apenas 110 minutos, ou dando um indício de que realmente querem uma merecida continuação que possibilite esse desenvolvimento.

Outras críticas e elogios são cabíveis, apontando especialmente para a grande produção do filme, que contou com convidados ilustres para aparições curtíssimas, além de terem filmado no próprio Metropolitan Museum em Nova York. Com uma trilha sonora impecável, Oito Mulheres e Um Segredo em geral é um bom filme, muito engraçado, e com algumas surpresas agradáveis no final. A produção já faturou mais de U$ 78 milhões nos Estados Unidos, e mais de U$ 115 milhões mundialmente, ultrapassando seus predecessores da franquia em seu primeiro fim de semana. Vale a pena conferir!

Nota: 4/5 (Bom)

 

 

 

 

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