FILMES 

Quem ganhará o Oscar de Melhor Filme? Saiba mais sobre os indicados.

Este ano, temos oito filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme e, por incrível que pareça, os longas são muito bons apesar de terem estilos bem distintos. Como já assisti a todos, vou falar um pouquinho do que achei de cada um e arriscar umas apostas.

A Favorita

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Sinopse: Na Inglaterra do século 18, Sarah Churchill, a Duquesa de Marlborough, exerce sua influência na corte como confidente, conselheira e amante secreta da Rainha Ana. Seu posto privilegiado, no entanto, é ameaçado pela chegada de Abigail, nova criada que logo se torna a queridinha da majestade e agarra com unhas e dentes essa oportunidade única.

Crítica: Este é o típico filme que a Academia ama: filme de época, com roteiro que te prende até o fim, muito bem produzido (cenários, figurinos, cabelos, maquiagem, etc), ótima trilha sonora e um elenco surpreendente e com impecável química. O filme é ao mesmo tempo engraçado e grotesco, já que evidencia os podres dos bastidores da corte e do poder. Foi muito bem recebido pelo público LGBT.

Premiações: O filme tem um total de 10 indicações ao Oscar 2019. Acho que tem grandes chances de levar a estatueta. Ao todo, já teve 252 indicações a dezenas de prêmios e já levou 135 deles. Destaco, aqui, o prêmio máximo do BAFTA e British Independent Film Awards (pois é um filme britânico). Levou o prêmio principal também nas cerimônias do AFI Awards, Florida Film Critics Circle Awards e Houston Film Critics Society Awards. Quase certo que Olivia Coleman leve o prêmio de Melhor Atriz (levou 39 prêmios por esse papel, ganhando individualmente ou junto com o elenco).

Bohemian Rhapsody

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Sinopse: Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon formam a banda de rock Queen em 1970. Quando o estilo de vida agitado de Mercury começa a sair de controle, o grupo precisa encontrar uma forma de lidar com o sucesso e os excessos de seu líder.

Crítica: Muitos criticaram o longa por não retratar 100% o que aconteceu de verdade (Mercury não fez isso, aquele episódio não ocorreu daquela maneira, os acontecimentos estão fora de ordem, entre outras observações recorrentes). Eu vejo como adaptações que eles achavam que para um longa de 2h dariam certo e acredito terem sido feitas boas escolhas. A caracterização de todo o elenco está maravilhosa e acho que Rami Malek conseguiu incorporar muito bem o difícil temperamento de Mercury. O fato das músicas que não tinham gravação terem sido feitas em estúdio mixando a voz de Malek com a de Marc Martel, imitador famoso de Freddie Mercury, foi uma saída sensacional e que funcionou muito bem. Colocar o Live Aid praticamente na íntegra também foi emocionante.

Premiações: Apesar de ser um filme muito bem feito, acho que não leva a estatueta de melhor filme por conta do escândalo envolvendo o diretor, Bryan Singer, acusado de abusos. Ele foi substituído no meio das filmagens pelo diretor Dexter Fletcher mas acabou ficando com os créditos de direção. Com certeza o Oscar sendo uma premiação política não coroaria um filme de um diretor problemático. O filme foi indicado a 5 Oscars e tenho dúvidas se Malek levará o prêmio de Melhor Ator (levou 12 por esse papel em outras premiações).

Green Book: O guia

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Sinopse: Tony Lip, um dos maiores fanfarrões de Nova York, precisa de trabalho após sua discoteca fechar. Ele conhece um pianista que o convida para uma turnê. Enquanto os dois se chocam no início, um vínculo finalmente cresce à medida que eles viajam.

Crítica: Tratar de choque de culturas e racismo de uma forma conciliatória é um dos principais feitos desse filme. Uma das melhores dramédias que já assisti, a amizade entre o branco sem educação e noção e o negro que sofre preconceito mesmo sendo refinado é construída de forma orgânica e é impossível do público não sentir empatia pelos personagens. É uma produção simples, porém muito bem dirigida por Peter Farrelly e com atuações maravilhosas de Viggo Mortensen e o queridinho da Academia, Mahershala Ali. O filme é baseado em fatos, inclusive o filho de Tony Lip é co-roteirista do longa que escreveu o texto baseado em relatos que seu pai contava à família. Mas, como ele tinha muita lábia, muito do que está no filme pode ser um exagero de Tony, mas quem se importa? O que importa mesmo é que o filme é divertido e mostra o nascimento de uma amizade inter-racial que jamais aconteceria se não fossem tais circunstâncias.

Premiações: Se a Academia seguir a mesma linha de raciocínio que em 2017, vai dar a estatueta a este filme (lembrando que, naquele ano, quem ganhou foi Moonlight, que tratava de preconceito contra gays e negros). Há ainda o elemento em comum chamado Mahershala Ali (que atuou nos dois longas). Para mim, ele com certeza ganhará o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante (assim como em 2017) já que levou 17 prêmios por esse papel. O filme tem 5 indicações ao Oscar. Ao total, Green Book tem 84 indicações a prêmios e ganhou 49 deles.

Infiltrado na Klan

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Sinopse: Também baseado em fatos, o longa se passa em 1978. Ron Stallworth, um policial negro do Colorado, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo por meio de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

Crítica: É um filme de Spike Lee e isso já explica muita das principais características do longa: discussão sobre racismo, roteiro com humor ácido e histórias inusitadas. A dupla principal, interpretada por John David Washington e Adam Driver, está com uma química fenomenal, não desprezando o resto do elenco, obviamente, pois todos estão incríveis em seus papeis. Aos poucos a ligação com as tensões raciais atuais – que se tornaram mais acirradas após a eleição de Donald Trump à presidência – ficam mais claras.

Premiações: É um filme político e tem grande chance de ganhar se a linha de raciocínio da academia for o mesmo de 2016, quando Spotlight levou a estatueta. Fora que Hollywood adora alfinetar Trump e dando o prêmio para esse filme seria a coroação perfeita. Tem 6 indicações ao Oscar, e um total de 165 indicações a prêmios e já ganhou 33 deles. Apesar de merecer ganhar o Oscar em todas as categorias indicadas, o que eu vejo como quase certo é o de roteiro adaptado (foi indicado em 31 premiações diferentes nessa categoria, tendo vencido em 6 até agora).

Nasce uma estrela

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Sinopse: A jovem cantora Ally ascende ao estrelato enquanto seu parceiro Jackson Maine, um renomado artista de longa carreira, cai no esquecimento por problemas com o álcool. Os momentos opostos acabam por minar o relacionamento amoroso dos dois.

Crítica: Apesar do filme ser batido (essa é a quarta vez que a história vai às telonas), o estreante diretor Bradley Cooper acerta e faz tudo conforme o figurino, inclusive escalar Lady Gaga para o longa. As músicas são ótimas e você se apaixona pelo casal principal. Romântico e dramático na medida certa, pode até ser um pouco clichê, mas o filme traz discussões interessantes e bem atuais sobre o mercado fonográfico e como lidar com drogas dentro do mundo artístico.

Premiações: Muito mais certo que ganhar o prêmio de Melhor Filme é a música Shallow levar a estatueta de Melhor Canção (foi indicada a 20 prêmios e ganhou 13 vezes até agora). Ainda mais depois de ganhar o Globo de Ouro e até o Grammy. O longa tem um total de 8 indicações ao Oscar, 219 indicações em premiações e levou 63 até agora. Vários musicais já venceram na categoria Melhor Filme, como Chicago (2002), mas não acredito que seja o caso desse ano.

Pantera Negra

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Sinopse: Conheça a história de T’Challa, príncipe do reino de Wakanda, que após a morte de seu pai, o Rei de Wakanda, volta pra casa para a isolada e tecnologicamente avançada nação africana para a sucessão ao trono e para ocupar o seu lugar de direito como rei. Mas, com o reaparecimento de um velho e poderoso inimigo, o valor de T’Challa como rei – e como Pantera Negra – é testado quando ele é levado a um conflito formidável que coloca o destino de Wakanda, e do mundo todo, em risco. 

Crítica: Vai além de um bom filme de ação. O longa utiliza a figura do monarca de uma nação tecnológica no coração da África para debater temas como colonização, exploração e refugiados. Wakanda não existe, mas soa como um país africano poderia ser se a cultura deles nunca tivesse sido contaminada pelo Ocidente. O jovem cineasta Ryan Coogler já tinha mostrado o dom de usar franquias pop para debater questões raciais em Creed: Nascido para lutar (2015). E que bom que ele chamou Michael B. Jordan para participar de Pantera Negra, ele é um excelente representante da nova safra de atores. E Chadwick Boseman conseguiu passar credibilidade a um personagem que tem a responsabilidade de Wakanda em suas mãos depois da morte do pai e, principalmente, se revela a riqueza secreta de seu país para ajudar os vizinhos ou se continuará isolado do resto do mundo.

Premiações: Já é considerado um case de sucesso só por ser o primeiro filme de super-herói a ser indicado na categoria de Melhor Filme. E embora eu considere o filme muito bem feito e interessante, não acho que a Academia premiaria na principal categoria. Mas, é preciso destacar que o filme já levou 8 prêmios de Melhor Filme. Teve um total de 7 indicações ao Oscar, 219 indicações a prêmios e venceu 79 deles. A palavra aqui é representatividade pois o elenco é quase todo negro, todos ótimos em seus papeis. Não é à toa que o elenco foi premiadíssimo. No Oscar, acho que leva Trilha Sonora Original e Mixagem de Som.

Vice

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Sinopse: Na juventude, Dick Cheney se aproximou do Partido Republicano ao ver na política uma grande oportunidade de crescer na vida. Para tanto, se aproxima de Donald Rumsfeld e logo se torna seu assessor direto. Com a renúncia do ex-presidente Richard Nixon, os poucos republicanos que não estavam associados ao governo ganham imediata importância e, com isso, tanto Cheney quanto Rumsfeld retornam à esfera de poder do partido. Décadas depois, com a decisão de George W. Bush em se lançar candidato à presidência, Cheney é cortejado para assumir o posto de vice-presidente. Ele aceita, mas com uma condição: que tenha amplos poderes dentro do governo, caso a chapa formada seja eleita.

Crítica: É um filme que ganhou a simpatia do público e da crítica pelo modo ácido ao contar os bastidores da política americana em um período conturbado, passando, inclusive, pelo episódio do 11 de setembro. McKay transformou um assunto maçante em algo extremamente envolvente. É uma cinebiografia política, que apresenta uma estética visual dinâmica – de ângulos de câmera e montagem – e um leque grande de diálogos com ritmo e frases de efeito. O que impressiona aqui é a décima transformação brutal de Christian Bale, que já engordou, emagreceu e ficou super sarado em diversas ocasiões, todas muito surpreendentes. Os outros atores também foram muito bem caracterizados e interpretados.

Premiações: Acho que Vice tem a mesma vibe de A Grande Aposta, de 2015, que teve 5 indicações (até porque tem o mesmo diretor, Adam Mckay, e elenco, como Christian Bale e Steve Carrell). Não acho que Vice ganhe por Melhor Filme, mas provavelmente Bale leva a estatueta por sua performance (ele foi indicado a ator coadjuvante em A Grande Aposta, mas não levou). Bale já foi premiado 9 vezes por interpretar tão bem Cheney. O filme foi indicado, ao todo, em 8 categorias.

Roma

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Sinopse: Cidade do México, 1970. A rotina de uma família de classe média é controlada de maneira silenciosa por uma mulher que trabalha como babá e empregada doméstica. Durante um ano, diversos acontecimentos inesperados começam a afetar a vida de todos os moradores da casa, dando origem a uma série de mudanças, coletivas e pessoais.

Crítica: É um filme lindíssimo em todos os aspectos. Um drama em preto e branco, com um roteiro emocionante que explora a amizade, a cumplicidade, a empatia, o amor e a decepção em seus mais diferentes níveis. Uma fotografia sem igual com a exploração máxima de planos abertos e poucos cortes. Na minha opinião, o mais completo trabalho até hoje de Alfonso Cuarón (e olha que eu já tinha amado Gravidade e ele levou a estatueta de Diretor e Melhor Montagem). O filme pode ser considerado monótono por alguns, mas o ritmo lento não me incomodou. Uma surpresa é a ótima atuação de Yalitza Aparicio. De origem indígena e sem experiência com cinema, ela sensibilizou o público e foi indicada a diversos prêmios, inclusive o Oscar. Mas tem enfrentado uma série de críticas no México como não é atriz, não tem vocação nem futuro na área e tem a sorte das feias. Pra mim, isso é inveja, mas…

Premiações: Em 2014, O Oscar endeusava Gravidade (levou 7 estatuetas das 10 indicações) e Roma está igualmente indicado em 10 categorias. Será que vão repetir a dose? Ele foi o primeiro diretor mexicano a ser indicado ao Oscar. Acho que tem grandes chances de vencer nas categorias Melhor Filme, Diretor e Fotografia (será que Cuarón subirá 3 vezes ao palco? Isso aconteceu no BAFTA). Ele faz parte do trio de ouro do cinema mexicano (os igualmente aclamados Alejandro Iñárritu e Guilhermo Del Toro, queridinhos da academia nos últimos anos). As produtoras de filmes e de TV estão se rasgando de inveja da Netflix, que vem, a cada ano, desenvolvendo superproduções aclamadas pela crítica.

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