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Shazam! Cai de vez o lado sombrio da DC nos cinemas?

Critica SEM SPOILER

Das iniciais dos grandes imortais, Salomão, Hercules, Atlas, Zeus, Aquiles e Mercúrio, foi dado ao jovem Billy Batson o poder dos imortais ao pronunciar uma simples palavra, SHAZAM! Era mais ou menos assim a introdução da série de Tv de 74 que chegou a passar no Brasil. E para esses antigos fãs do personagem, já adianto que o filme em si não é em nada relacionado com o que você conhecia do antigo Capitão Marvel, esse herói morreu e foi completamente repaginado pela DC Comics, após ficar um bom tempo na geladeira. Agora conhecido apenas como Shazam, o herói é o principal responsável para apresentar o universo magico da DC, além de ser um personagem muito mais infantil com uma história bem mais light do que a maioria dos fãs estão habituados. O filme se mantem fiel a essa característica das HQ, sendo uma cômica aventura com uma leve pincelada sombria típica dos filmes da Warner/DC, porem esse ar sombrio fica focado quase que exclusivamente no vilão Dr Silvana.

Depois da reação iniciada com Mulher Maravilha e firmada com o grande sucesso de Aquaman que superou 1,14 bilhão de doletas , Shazam! Chega para consolidar esse caminho correto. Aparentemente a Warner/DC está mais segura em focar nos heróis com filmes solos, mas sempre deixando claro que ele está presente no mesmo universos que outros super-heróis. Até agora isso foi fácil já que Aquaman e Mulher Maravilha já haviam aparecidos juntos em Liga da Justiça, mas para o Shazam essa relação ficou limitado a uma chuva de referência que se nota ao longo do filme, quase todos os heróis apresentados pelo universo cinematográfico da DC tiveram suas referências individuais no filme, sempre mostrando que eles existem e que possuíam uma grande popularidade. Isso é bom, pois eu afirmo que Shazam! Tem tudo para ser mais um estouro de público, o filme tem ingredientes que atrai o grande público ao cinema, possui um humor dentro da medida, tem sacadas inesperadas, tem uma trama que empolga e coesa, além de possuir uma grande quantidade de personagens cativantes, sobre tudo o protagonista. Portanto é importante que ele já tenha essa conexão com os outros heróis da franquia

Shazam é o primeiro filme da Warner/DC assumidamente como comedia com super-herói. A trama não carrega muita complexidade não possui um conteúdo profundo e também exagera em cenas super dramáticas, mas, lida bem com os conceitos inusitados apresentados com um ar de auto deboche. Em um comparativo geral, a história parece com o clássico “Quero ser Grande “de 1988 e estrelado por Tom Hanks misturado com os filmes recente de Deadpool, que faz sátira com seu próprio gênero de super-herói. Entretanto, Shazam não é um personagem igual o Deadpool que se sustenta com esse tipo de sátira, porém, há de convir que o humor e a leveza proposto pelo filme é plenamente compatível com o herói, que é uma criança de 14 anos num corpo de um adulto com superpoderes, tornando cada excentricidade apresentada no filme plausível e aceitável.

David Sandberg diretor 

Shazam, assim como Aquaman, possui um diretor que vem do gênero de terror. David Sandberg, trabalhou com James Wan em “Quando as luzes se apagam” e em “Annabelle”. A DC viu o sucesso de James Wan em Aquaman com bons olhos e assim confiou a Sandberg a continuação de sua apresentação de super-heróis, o diretor correspondeu à altura, sobre tudo nas cenas de ação cômica, onde soube casar as piadinhas com cenário, objetos, figurinos, atores, efeitos especiais e até a coreografia da cena e etc., mas ele também não larga sua característica do terror, ele apenas foca o lado sombrio do filme no personagem realmente sombrio, o Dr Silvana e os 7 pecados que o cercam, dando um ar mais sinistro ao personagem. Shazam não é um filme de comedia que funciona desconstruindo o subgênero de super-herói como Deadpool por exemplo, por isso o filme requer ação. E as cenas de ação também funcionam, porem dentro dos limites que os próprios personagens possuem, ou seja, o nosso herói que é apenas um garoto 14 ‘’tunado’’, lutando contra um velho lunático também não fica atras, logo as cenas de ação não são tão bem elaboradas como a cena de luta do Batman deve ser ou como foram as cenas de luta de Aquaman. Por isso eu ressalto que o filme carece de cenas de tirar o folego e extremamente entusiasmantes de ação, mas, o filme esbanja ação de outra forma, mais voltada para comedia, como cenas clichês de salvamento em alta velocidade, cenas de perseguição de voo, através de atos de exibicionismo e da descoberta de poderes do personagem, mesmo não possuindo muitas cenas de luta coreografadas a ação do filme funciona pois se adequa ao que foi proposto. O diretor também opta em efeitos visuais mais práticos usando cabos num fundo verde, no lugar do CGI cujo é sempre motivo de polêmica na DC, vide filmes do Lanterna Verde, Liga da Justiça e Batman vs Superman. Mas mesmo com essa escolha mais pratica para substituir o  CGI, Sandberg  cai no artificial ao escolher um método mais prático no uniforme do Shazam, fica evidente em diversas cenas do filme que os músculos são de enchimento, o peitoral do uniforme parece sair do lugar na medida que ele se move, já alguns músculos do ombro ou dos braços parecem estarem sempre contraídos parecendo que o personagem está constantemente o forçando

Zachary Levi sem os muculos de espuma 

A performance de Zachary Levi funciona de forma natural mas acaba desbalanceado com o ator que interpreta Billy Batson, Asher Angel é mais reservado e objetivo com seu personagem, já o Zachary é mais extrovertido e vivaz isso cria uma mudança de personalidade quando a transformação é feita. Na pratica parece que Shazam e Billy Batson não são a mesma pessoa. Mas a pior atuação ao meu ver vai para Mark Strong, que não parece conseguir tirar essa personalidade de inglês esnobe que só deu certo em Diabo Veste Prada, no papel de DR Silvana ele fica clichê, com ações mecânicas e repetitivas, sempre andando de forma pomposa e encarando para depois tirar seus óculos…tornando a cena cada vez mais sem graça a medida que ela se repetia. Já a família adotiva de Batson, possui um elenco muito bom que te deixa cativado, um destaque para o Cooper Andrews que faz o pai adotivo, ele já me chamava atenção em The Walking Dead por ser muito carismático e ao mesmo tempo passar um ar de força e segurança. Entre o irmão adotivo, o Ian Chen faz o típico personagem japonês nerd, mas apesar do clichê ele atua de forma bem animada, a Faithe Herman faz o papel da caçula e eu fiquei apaixonado por ela desde a primeira aparição, os dois irmãos mais velhos passam batido por não terem muita função cômica, trazendo um ar mais sério. Mas a cereja do bolo vai para o Freddy Freeman interpretado pelo Jack Dylan, ele consegue da autenticidade ao personagem que é o melhor amigo de Batson e principal responsável pela transformação do protagonista. Dylan faz ótima parceria com Zachary e ofusca Angel quando estão juntos em cena.  

Shazam! Não é um filme impecável como filme de comedia ou como de super-herói, mas é como um filme de comedia com ação que ele consegue explorar todo seu potencial trazendo uma nova visão para a DC de como apresentar um herói nos cinemas de uma forma leve e divertidíssima.

Como observações gerais para quem vai assistir o filme agora na estreia, já adianto que o filme possui duas cenas pós créditos, então fiquem até o final dos trailers!

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