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Três anúncios para um crime – Crítica

Sabe aquele filme que veio com a temática certa na hora certa? Assim nasceu o bem sucedido Três anúncios para um crime, que vem abocanhando vários prêmios desde o início do ano e está cotadíssimo ao Oscar nas sete categorias que está concorrendo, incluindo melhor filme. Todo mundo sabe que, desde 2017, Hollywood está vivendo consecutivas denúncias de assédio sexual provocando o fim de várias carreiras estabelecidas e colocando um grupo de corajosas mulheres nos holofotes. É claro que um longa no qual a protagonista é uma mulher de fibra que luta pela resolução de um caso de violência sexual esteja no centro de tudo.

Resultado de imagem para tres anuncios para um crimeMildred – vivida pela fantástica Frances McDormand, que pra mim já ganhou o Oscar de melhor atriz – é uma mãe com muita raiva e tem uma ideia brilhante para apressar as investigações do assassinato da filha. A jovem de 17 anos foi violentada e ainda teve o corpo carbonizado. Segundo a polícia, não há pistas para prosseguir com o caso, mas como fica o coração dilacerado da mãe? Estampado em três outdoors bem diretos em uma estrada da pequena cidade de Ebbing, Missouri. “ESTUPRADA ENQUANTO MORRIA”, “E AINDA SEM PRISÕES?”, “COMO PODE, XERIFE WILLOUGHBY?”. A provocação, no formato de uma propaganda preta e vermelha para todo mundo ver, tem suas repercussões, positivas e negativas.

Aquela mãe que luta até o fim, sem medir consequências, logo de cara conquista o público. No desenrolar do filme, que tem o roteiro arrebatador de Martin McDonagh (ganhou, em 2006, o Oscar de melhor curta-metragem por Six Shooter), você percebe que não é só ela que está deprimida, passando por momentos de aflição, mas, numa certa medida, praticamente o elenco inteiro está querendo extravasar suas indignações. E o filme é brutal nesse sentido, por isso surpreende o espectador.

Resultado de imagem para tres anuncios para um crimeApesar de Frances ser a diva máxima da dor, cada personagem tem seu momento de glória durante o longa, como Dixon (melhor atuação de Sam Rockwell), Willoughby (belíssima performance de Woody Harrelson que parece amar viver policiais), James (vivido por Peter “Tyrion” Dinklage) e até o imbecil ex-marido de Mildred, Charlie (interpretado por John Hawkes). E aí, quando você menos espera, percebe que a cidade está revirada de cabeça pra baixo, se tornando quase uma dramédia, porque as coisas vão acontecendo e não dá pra acreditar naquilo tudo.

Eu só posso elogiar Martin McDonagh, que roteiriza, produz e dirige o filme e conseguiu tirar o melhor de cada ator do elenco. Poderia ser mais um indicado ao Oscar super monótono (como muitos são), mas não tem nada de monótono. É aquele tipo de filme que te toca lá no fundo, fazendo você pensar o que faria no lugar daqueles personagens. Eu achei brilhante.

Nota: 5/5

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