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Vale a pena ver | Flesh and bone

Vale a pena ver a minissérie Flesh and Bone (2015, canal Starz) pelas muitas camadas que a trama tem, pela beleza de ter em seu elenco bailarinas e bailarinos de verdade, e por explorar emoções extremas. Vale a pena ver por ser, literalmente, um programa que explora o estilo de vida sexo, drogas e música clássica. Vale a pena ver pela abertura, cujas imagens e música (Obsession, da Karen O) são uma verdadeira obra de arte (confira https://www.youtube.com/watch?v=Waw8_NJ5W4A).

Essa minissérie de apenas 8 episódios (uma pena não poderem extender a trama por conta da dificuldade de conciliar as agendas dos bailarinos) te prende de uma maneira única. A trama é envolta de mistério e, quando você menos espera, já está lá pelo episódio 6. Super maratonável, embora os episódios sejam longos (cerca de 58 minutos cada). Além disso, a minissérie teve duas indicações ao Globo de Ouro e ganhou dois Satellite Awards, um Gracie Allen Awards e um Women’s Image Network Awards.

Acredito que muito do seu sucesso se deve a ótima dupla de escritores Moira Walley-Beckett e Lawrence Bender, ambos de Breaking Bad. O expectador acompanha a vida de Claire (Sarah Hay, maravilhosa por sinal), uma jovem bailarina com um passado difícil que passa em uma audição de uma companhia de balé de prestígio em Nova Iorque. A companhia é liderada por Paul Grayson (Ben Daniels, de House of Cards e Exorcista), um brilhante diretor artístico de temperamento instável (pra dizer o mínimo), que conta com a ajuda de sua assistente Mônica (Vanessa Aspillaga, de Law & Order).

Claire divide um apartamento com a também bailarina Mia (Emily Tyra, de Boardwalk Empire) e, no terraço do prédio onde elas moram, vive a figura enigimática Romeo (Damon Herriman, de Justified), que “está ali para servir”, como ele mesmo sempre fala. O suspense está presente ao longo de toda a narrativa e cada um dos personagens tem um pecado que esconde dos demais. Óbvio que não entrarei em detalhes, mas é extremamente viciante acompanhar o desenrolar dos fatos.

No elenco, também estão Josh Helman (The Pacific), como Bryan, um ex-militar que retorna aos EUA sofrendo de transtorno de estresse pós-traumático depois de servir no Afeganistão; Irina Dvorovenko como Kira; Sascha Radetsky como Ross; Raychel Diane Weiner como Daphne, e Marina Benedict (Torchwood) como Toni Cannava, todos bailarinos. Completando o elenco, estão Tina Benko (The Good Wife) e Tovah Feldshuh (The Walking Dead).

A trilha sonora (com músicas depressivas) e a fotografia sempre cinzenta mostram o lado obscuro do showbizz da Broadway, com direito a bailarinas sempre machucadas e com fome, que precisam se drogar para aguentar o ritmo frenético de ensaios, da inveja de suas colegas e da fofocada sem fim. As coreografias são de Ethan Stiefel, todas lindíssimas, não só as clássicas como também as sensuais de pole dance.

Vale a pena ver pelos plot twists tão sinistros como fazer os 32 Fouetté’s do Lago dos Cisnes (parafraseando uma das cenas da minissérie, já que qualquer um que interprete essa peça precisa fazer isso senão não é Lago dos Cisnes). Aliás, boa oportunidade para falar que vale a pena ver Cisne Negro, de Darren Aranofski, e maravilhosamente protagonizado por Natalie Portman. Seu esforço no balé rendeu o Oscar de melhor atriz por esse papel. Mas, isso é papo pra outra hora, outro show musical rs…

Nota: 5/5

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